Esta mulher escreveu um texto para o seu amor. Pouco depois, todos choram.

Marine Antunes vive na vila de Ourém, em Portugal. O sorriso contagiante da menina foi abalado quando ela tinha apenas 13 anos.



Marine foi diagnosticada com Linfoma Não-Godinho, entre o coração e os pulmões. Segundo a própria Marine, uma mancha de cinco centímetros foi detectada no hospital de Leiria. Na semana seguinte já tinha onze, mais do que o dobro. A médica que a atendeu em Coimbra chegou a dizer que, naquele momento, só mesmo um milagre.
A garota foi submetida a quimioterapia e radioterapia por cerca de ano e meio. Marine perdeu os seus cabelos e passou a usar boinas e lenços. Durante esse tempo, ela conviveu com muitas pessoas que não sabiam lidar com uma jovem com câncer. “Um dia ainda vou rir disto”, ela pensou.







Ao contrário da maioria, a jovem não teve uma atitude destrutiva perante a doença. Decidiu enfrentá-la com a sua melhor arma: o humor. Dois anos depois, Marine finalmente pôde dizer que estava livre do "monstro". Ela então decidiu criar um blog, Cancro com Humor, no qual pública crônicas desde o início de 2013. Após o sucesso do blog, ela criou uma associação e um livro com o mesmo nome. Estes projetos têm como base a sua experiência e pretendem dinamizar atividades para doentes oncológicos e seus familiares.





Mas o que esta incrível jovem de 26 anos não esperava era que o Cancro com Humor lhe proporcionasse uma linda e profunda história de amor: "Um 'Careca Power' [expressão que ela utiliza para os doentes oncológicos] contou-me a sua história duma forma hilariante, crua, divertida, frontal e verdadeira. Ficamos amigos imediatamente, amigos virtuais, e depois, finalmente, acabou por entrar completamente na minha vida. Hoje é o meu namorado."






Marine e Pedro uniram o humor ao amor para lutar contra o câncer, mais uma vez. Infelizmente, não foi suficiente. Pedro, o namorado de Marine, acabou falecendo em maio do ano passado, poucos dias depois de completar 23 anos.





Dias antes de sua morte, Marine escreveu para Pedro o seguinte texto, publicado pela Capazes ( Associação Feminista que tem como objetivo promover a informação e a sensibilização da sociedade civil para a igualdade de gênero e defesa dos direitos das mulheres):
Não quero saber escrever se não escrever para ti
Uso todos os meios que tenho para te homenagear. Acho que já não consigo escrever sem o fazer para ti. Hoje sei, que criei o Cancro com Humor para chegar até ti. Para chegar até nós. Para te homenagear com grandeza. E agora que estou aqui, na Maria Capaz, não vou perder a oportunidade de o fazer de novo. Não quero saber escrever se não escrever para ti.
Estás a dormir. Escrevo a teu lado, ao mesmo tempo que vou espreitando para saber se estás bem. Vais abrindo os olhos, de vez em quando, ainda não dormes profundamente. Enquanto te olho, penso nas tantas histórias de amor fantásticas que existem. Tenho lido tantas, tenho querido tantas, tenho escrito sobre tantas. Olho para nós e continuo a não acreditar que a história de amor mais fantástica e a mais difícil que conheço, nos pertença. Por vezes não acredito que vivo dentro desta história, que és real, que aquilo que estamos a viver é mesmo nosso. Sonhei, como todas as mulheres inteligentes e tolas, com um amor estrondoso. Soberbo. Que me tirasse o fôlego, que me tirasse o sono, que não conseguisse dormir por estar tão entusiasmada, que me fizesse maior, que se contasse aos netos, um dia depois. Apesar de não ter sonhado que tivesses cancro, a verdade é que o nosso amor tem toda a intensidade e beleza que imaginei. Sim, também é verdade que me tiras o sono, pelos melhores e piores motivos, minha “preocupação” mais linda, mas, apesar de todas as dificuldades que vivemos, digo-te, meu amor – ultrapassaste o sonho.
Têm sido tempos difíceis, eu sei que sim. Têm sido tantas as lágrimas mas não menos os sorrisos. Obrigada por os gastares também comigo. Guardas sempre um, o mais sincero, o mais bonito, para gastares comigo. E nunca te poderei pagar isso. Tenho tido a honra de ouvir as palavras mais bonitas e que saem de ti, no meio do cansaço. Também nunca te poderei pagar isso. Lembro-me delas. Estávamos no IPO. Estavas tão bonito. Esses teus olhos verdes, que também parecem mentira, por ser demasiado perfeito que o nosso amor tenha olhos verdes, gigantes e brilhantes, olhavam para mim com uma vivacidade tão tua. Sorrias ternamente. Perguntei-te porque sorrias. E tu, na generosidade que nunca te abandona, mesmo quando estás exausto, disseste-me a frase mais bonita que já ouvi: “Como não consigo falar muito, vou sorrindo para saberes que estou bem”.
Acho que é isto o amor. Sorrirmos cansados, para descansarmos quem nos ama. Obrigada por guardares sempre algumas palavras (porque sabes que adoro palavras) e ofereceres-mas de presente. Fizemos ontem um ano de namoro e ofereceste-me um “Amo-te” embrulhado em saudade, que me soube tão bem. Não precisamos de muito, pois não, meu amor?
Temos conversado tanto no nosso silêncio. Não sabia que se conseguia conversar no silêncio. Aprendi também isso contigo. Não sabia que, ao partilharmos a mesma música, ao olharmos para o mesmo vazio, ao mantermos as mãos unidas, ao respirarmos na mesma frequência, poderíamos conversar assim. Não precisamos de muito, pois não, meu amor?
“Eu estou bem”, dizes-me tu. “Eu sei que sim”, digo-te eu. E adormecemos os dois, na ânsia de nos acalmarmos um ao outro, com a certeza que ficamos bem, se ficarmos juntos.
Não quero saber escrever se não escrever para ti. Tudo o que fizer terá o nosso amor.
Da tua, Marine




Marine acha que o câncer "é como o primeiro amor- pode acabar, desaparecer, mas fica e marca para sempre". Se a coragem, o humor e a sensibilidade de Marine também te tocaram, compartilhe esta história com seus amigos. E já, agora, não se esqueça de sorrir!